Olá Amados!
Esse é para as meninas, MENINO NÃO ENTRA!
TÁ BOM PODE LER VAI....
A FESTA DO CABELO MOLHADO
(Sair de cabelos molhados é um atrevimento. Os fios ainda úmidos guardam um certo charme de água, dão à mulher uma liberdade de quem desacatou os ferros de esticar e trocou o vento artificial do secador por uma brisa qualquer ou por um pouco de sol.
O cabelo molhado é também uma afronta das garotas às suas mães, tão avessas a esse tipo de informalidade capilar. As mães, que segundo as lendas do tempo também foram meninas de algum topete, sabem muito bem do potencial encantador da água e, por um misto de cuidado e falta de generosidade, tentam impedir as filhas de exibirem cabeças molhadas longe de ambientes óbvios como praias e piscinas.
Usar cabelo molhado em festas importantes é quase inimaginável. Para essas ocasiões lotam-se os salões, os cabelos viram massa de modelar e saem entre petrificados e calculadamente desarrumados. Molhados? Ah, isso não saem.
Mas, no mês passado, aconteceu que uma moça chamada Katie Grand esteve no Rio de Janeiro para uma festa e não foi ao salão de beleza. Mulher de fama e muito jovem, carrega nas costas o título de “a maior stylist do mundo”. Deve ser pesado, imagino. Os títulos são assim: geram expectativas grandes, confundem trabalho e essa substância fugidia (e talvez inexistente) que se chama o eu da pessoa.
Houve uma festa na qual Katie Grand era esperada com olhos em brasa. Moças e senhoras em seus melhores modelos, algumas até deformadas pela ânsia de agradar um grande Outro muito exigente, Outro esse que não poderia ser a tão moça-humana Katie Grand, mesmo com seu grande título e influência, mas que ficou sendo, porque explicar o grande Outro é coisa tão fácil quanto achar um Saci já preso na garrafa.
Katie Grand entrou num vestido preto, o que decepcionou grande parte da plateia, que imaginava Katie Grand com uma roupa de “maior stylist do mundo”, e essa roupa não seria um tubinho reto da cor que brigou com a luz. Tinha um lenço misterioso amarrado no pescoço (o mistério fica por conta da falta de frio que justificasse o lenço grande, talvez uma dor de garganta) e uma sandália de salto que ninguém pôde identificar como assinada por esse ou por aquele nome, era só uma sandália. Nos cabelos, uma tiara meio desengonçada. E água. Katie Grand foi à grande festa no grande salão do grandiosamente decorado Copacabana Palace de cabelos molhados.
Daí que Katie Grand foi chamada então de desleixada. E de gorda. E de feiosa. E de mal vestida. As mais exaltadas queriam arrancar-lhe o título à força. E esses foram apenas alguns dos comentários que circularam entre taças, garçons, moças de nariz empinado e uns poucos quilos de Donatella Versace, essa de cabelos longos, louros, e muito escovados, aparecidos e justinhos no lugar, de certo para combinar com o vestido.
Eu, que nem sou fã das revistas e do título de Katie Grand, não pude desviar os olhos de Katie Grand, porque Katie Grand estava desafiando a festa chique com seus cabelos molhados. Me deu um orgulho de Katie Grand, como se Katie Grand fosse uma amiga querida capaz de uma inadequação assim tão charmosa.
Katie Grand quis, quis?não sei se quis, mas o fato é que vestiu, e, sem pensar ou de propósito, o fato é que não há simples acaso, o acaso é sempre complexo, então eu digo assim: Katie Grand vestiu um pouco do Rio, mas não escolheu a cor. Também não arriscou uma estampa tropical. Katie Grand não subiu na sandália de prata nem tentou balançar uns balangandãs. Do Rio, Katie Grand escolheu o mar. E foi com o mar na cabeça, enfrentando os comentários de desleixada, feia, gorda e mal vestida, ciúme infantil das convidadas, invejosas daquela ideia tão simples do acessório líquido que fez de Katie Grand, a moça estrangeira com o título grande de maior stylist do mundo, a mais carioca entre as presentes e a única capaz de revelar, despudorada, às altas horas da noite e a portas fechadas, que o “it” das meninas do Rio �
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